Transparência do Caos

Investigação aberta

Este é o caminho completo da investigação, do jeito que ela foi feita: cada achado vem com as provas numeradas, o contraponto de quem foi apontado e a situação atual. Nada aqui pede que você acredite: tudo pede que você confira.

1. Como ler e conferir

① Leia o achadoO resumo diz o que foi encontrado. Cada afirmação tem um tipo: fato, declaração, alegação (dita em depoimento, não provada), conclusão da CPI ou decisão judicial.
② Abra a provaCada prova numerada tem link para a fonte original. Quando existe, há também a cópia arquivada ou o documento oficial na íntegra.
③ Confira a cópiaCada cópia tem uma impressão digital SHA-256. No computador, rode sha256sum arquivo.pdf e compare com a lista oficial. Se bater, o arquivo é exatamente o coletado.
④ Leia o outro ladoCada achado traz o contraponto: o que os apontados dizem em sua defesa. As fichas dos envolvidos trazem a defesa de cada um.
⑤ ContesteAchou erro, ou uma fonte que falta, a favor ou contra alguém? Abra uma issue com o link. A correção entra com registro público.

⚖️ Pedido de indiciamento não é condenação. Até onde as fontes mostram, ninguém foi condenado pelos fatos apontados pela CPI. Toda pessoa tem direito à presunção de inocência.

2. A rede: quem fez o quê

Cada pessoa ou instituição está ligada aos temas em que atuou. A cor da linha mostra o que ela fez naquele tema. Clique para ver os atos e as provas.

Carregando a rede…

⤢ Abrir a rede em tela cheia (com filtros por tema, tipo de ato, estado e pedido da CPI)

Cada ato é ligado a um tema por regras de palavras-chave públicas (scripts/gerar_rede.py). Dados: rede.json e atos.csv.

3. Achados, com as provas

Achado 1 · Vacinas oferecidas e não respondidas

O governo federal recebeu ofertas de vacina da Pfizer e do Butantan a partir de meados de 2020 e, segundo depoimentos e o relatório da CPI, deixou parte delas sem resposta formal; o presidente desautorizou a compra da CoronaVac em out/2020, e o contrato da Pfizer só foi fechado em março de 2021. O Brasil começou a vacinar 40 dias depois do Reino Unido.

  1. 30/07/2020 · alegação em depoimento. O Butantan ofereceu 60 milhões de doses da CoronaVac para o fim de 2020; segundo Dimas Covas à CPI, não houve resposta. Agência Senado
  2. 14, 18 e 26/08/2020 · alegação em depoimento. A Pfizer ofereceu 30 ou 70 milhões de doses, com ao menos 1,5 milhão ainda em dezembro de 2020; o governo não respondeu. Rádio Senado
  3. 12/09/2020 · documento. Carta do presidente da Pfizer ao governo: "até o momento não recebemos uma resposta". Íntegra (Metrópoles)
  4. 21/10/2020 · declaração. Um dia depois de o ministro anunciar a compra de 46 milhões de doses da CoronaVac, o presidente publicou: "A VACINA CHINESA DE JOÃO DORIA" e, a um seguidor, "NÃO SERÁ COMPRADA". Estado de Minas · CNN Brasil
  5. 17/01/2021 · fato. Primeira vacinada no Brasil, com a CoronaVac, 40 dias depois do Reino Unido. Tabela e gráfico
  6. 12/09/2020 · documento oficial. Carta de Albert Bourla, presidente da Pfizer, a Bolsonaro, com cópia a Mourão, Braga Netto, Pazuello e Guedes, protocolada na CPI como DOC 071. Segundo Wajngarten, só foi respondida em 09/11/2020. Carta na íntegra
  7. 17/03/2020 a 23/04/2021 · conclusão da CPI. A CPI contou 81 correspondências da Pfizer ao governo; seis delas eram ofertas formais feitas antes do contrato. Os números que circulam (3, 6, 10, 53, 81) medem coisas diferentes, e os e-mails originais continuam sob sigilo. Cronologia das correspondências
  8. Março de 2021 · documento oficial. Contrato nº 52/2021 com a Pfizer, sete meses depois da primeira oferta. Contrato na íntegra
  9. 30/06/2021 · dado. Só 12,4% da população tinha esquema completo, contra cerca de 49% nos EUA e no Reino Unido. Planilha
Contraponto. O governo alegou cláusulas abusivas e insegurança jurídica no contrato da Pfizer e, sobre a CoronaVac, que exigia comprovação científica e aval da Anvisa. No fim de 2020 a oferta mundial de vacinas era pequena: a própria Pfizer previa só 1,5 milhão de doses ao Brasil em 2020. Estudos e contra-argumentos. Élcio Franco disse que muitos e-mails eram repetidos e que a rede do ministério ficou fora do ar de 5 a 12/11/2020 por ataque hacker; ele mesmo admitiu que isso não explica o silêncio de agosto a outubro. Defesa do governo

Achado 2 · Cloroquina e o "tratamento precoce"

Em maio de 2020, sem estudo que mostrasse benefício, o Ministério da Saúde liberou a cloroquina e a hidroxicloroquina para casos leves, e manteve a orientação depois que os grandes ensaios clínicos (jun–jul/2020) não mostraram benefício; o TCU mandou anular a nota de agosto de 2020, em 2025. O Exército aumentou a produção, e dois depoentes relataram à CPI uma proposta, no Planalto, de mudar a bula do remédio.

  1. 20/05/2020 · documento oficial. Nota Informativa nº 9/2020 do Ministério da Saúde libera cloroquina e hidroxicloroquina também para casos leves. Nota na íntegra
  2. 05/06, 17/06 e 23/07/2020 · ciência. Os estudos Recovery (Reino Unido), Solidarity (OMS) e Coalizão Covid-19 Brasil (NEJM) não mostram benefício. Cronologia
  3. 2020 · fato. O laboratório do Exército produz cerca de 3,2 milhões de comprimidos de cloroquina. Jornal de Brasília
  4. 04/05/2021 · alegação em depoimento. Mandetta diz à CPI ter visto no Planalto uma minuta de decreto para mudar a bula da cloroquina e incluir a Covid. IstoÉ
  5. 11/05/2021 · alegação em depoimento. O presidente da Anvisa, Antonio Barra Torres, confirma a reunião e diz que se opôs. Poder360
  6. jan/2021 · fato. O aplicativo TrateCov, do Ministério, receitava cloroquina; foi lançado em Manaus e retirado do ar em 21/01/2021. O Povo
Contraponto. Os defensores invocaram a autonomia médica, e as notas do Ministério diziam que a decisão era do médico, com consentimento do paciente. Nise Yamaguchi nega ter proposto a minuta da bula, e quem a redigiu não está estabelecido.

Achado 3 · Manaus sem oxigênio

O Ministério da Saúde foi avisado da falta de oxigênio em Manaus dias antes do colapso de 14 e 15 de janeiro de 2021. No mesmo período, distribuiu hidroxicloroquina e lançou na cidade o aplicativo que receitava o remédio.

  1. 07 a 10/01/2021 · documentos e depoimentos. Alertas ao Ministério sobre o oxigênio: o secretário do Amazonas diz ter falado com Pazuello em 07/01; há e-mail da White Martins e ofícios nos dias seguintes. Poder360/DW
  2. Inquérito da PF · alegação. Segundo a Polícia Federal, Pazuello e o comando militar foram avisados cinco dias antes do colapso. Metrópoles
  3. Documento de 07/01/2021 · fato. A secretaria de Mayra Pinheiro enviou à Secretaria Municipal de Manaus ofício orientando o "tratamento precoce"; ela o reconheceu na CPI. Outras Palavras
  4. Documentário, 00:26–00:29 · registro. Imagens de familiares buscando oxigênio e o depoimento de Pazuello à CPI. Roteiro
Contraponto. Pazuello disse que a falta foi "surpresa" e durou entre 13 e 15 de janeiro. O governador Wilson Lima e o ex-secretário Marcellus Campêlo também tiveram pedido de indiciamento, o que mostra responsabilidade estadual apontada pela própria CPI.

Achado 4 · Covaxin: a dose mais cara

O Ministério da Saúde assinou em fevereiro de 2021 um contrato de cerca de R$ 1,6 bilhão por 20 milhões de doses da vacina indiana Covaxin, a de maior preço por dose entre os contratos de vacina (comparação), com a Precisa como representante da fabricante. Servidores relataram pressão e uma nota de cobrança pedindo pagamento antecipado de US$ 45,9 milhões a uma empresa de Cingapura que não constava do contrato.

  1. 25/02/2021 · fato. Assinatura do contrato da Covaxin, intermediado pela Precisa Medicamentos. A Gazeta
  2. 25/06/2021 · alegação em depoimento. O deputado Luis Miranda e o servidor Luis Ricardo Miranda relatam "pressão anormal" e dizem ter levado as suspeitas ao presidente. Correio Braziliense
  3. Documentário, 00:43–00:57 · registro. O depoimento e o embate na CPI. Roteiro
  4. 26/10/2021 · conclusão da CPI. Pedidos de indiciamento de sócios e diretores da Precisa e da própria empresa. Relatório final aprovado
Contraponto. Nenhum pagamento foi feito, a vacina não foi entregue e o contrato foi rescindido. A CGU não encontrou sobrepreço (jul/2021); depois, CGU e TCU puniram a Precisa por apresentar procuração forjada (2024–2025). O deputado Ricardo Barros nega envolvimento, e o STF arquivou o procedimento em relação a ele (2023). Caminho do dinheiro · Ficha

Achado 5 · Prevent Senior

Médicos da operadora Prevent Senior denunciaram à CPI que a empresa distribuía o "kit Covid" para conter internações e alterava o registro da causa das mortes. A empresa nega.

  1. 28/09/2021 · alegação em depoimento. A advogada Bruna Morato, que representava ex-médicos, relata a orientação de entregar o kit e não internar. IstoÉ Dinheiro
  2. 22/09/2021 · declaração. O diretor-executivo Pedro Benedito Batista Júnior admitiu na CPI que o código da Covid era alterado nas fichas após certo período de internação. Ficha com as fontes
  3. Documentário, 01:09–01:14 · registro. O depoimento e o relato dos familiares. Roteiro
Contraponto. A Prevent Senior nega as acusações e diz que a troca do código seguia critério de fim do período de transmissão. Uma CPI da Câmara Municipal de São Paulo também pediu indiciamentos; o desfecho judicial não foi localizado.

4. A CPI: os votos e os efeitos dos votos

Em 26/10/2021 os 11 senadores titulares votaram o relatório final. Clique em cada nome para ver o voto e a fonte.

O que aconteceu depois do voto

5. Como garantimos a validade de cada informação

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